quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Manual de redação:10 regras da "grande imprensa" ao abordar movimentos sociais.

Adital em 24/3/2009, nunca esteve tão atual. Lido noQuarto Poder.
Convenções básicas: quem não cumprir está sujeito à demissão.
1ª) Toda ocupação de terra deve ser chamada de invasão
Em vez de usar o termo adotado pelos movimentos sociais, “ocupação” – manifestação de pressão para o cumprimento da Constituição pelo Estado e denúncia da existência de latifúndios –, é mais eficiente para o objetivo de defesa do princípio da propriedade privada a utilização da palavra “invasão” – tomar para si pela força algo que não lhe pertence.
Dessa maneira, implicitamente, estamos dizendo que discordamos dessa prática e a consideramos ilegal, e conseguimos gerar a sensação de pânico generalizado em todos os donos de propriedade, sejam elas rurais e produtivas, ou até mesmo propriedades urbanas.
Observação: essa regra não é generalizável. Para os casos em que os Estados Unidos invadem países, destroem a infraestrutura e matam a população, deve-se utilizar o termo “ocupação”.
2ª) Regra do efeito dominó: fale só do maior para bater em todos
O acordo da grande imprensa é manter somente o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) na pauta dos noticiários, e evitar sempre que possível falar da existência de outros movimentos sociais. Para isso, quando se tratar de movimentos do campo, basta usar sempre a expressão genérica “movimento dos sem-terra”, ou falar dos “sem-terra”, sem mais detalhes.

Se a pauta exigir o detalhamento do movimento, recomenda-se associá-lo sempre ao alvo principal, com expressões como “movimento dissidente do MST”.

Essa regra ainda colabora para a desunião entre os movimentos, pois os menores se incomodam pela invisibilidade e pelo fato de terem suas ações relacionadas sempre ao MST.

3ª) Reforma agrária deve ser tratada como questão de polícia
Movimentos sociais e reforma agrária devem, sempre que possível, ser tratados na página policial, no caso de jornais impressos, e no bloco do crime e dos desastres, no caso dos telejornais.

Caso não seja possível enquadrá-los na seção policial ou em espaço próximo, use títulos para editorias que lembrem o belicismo, como “campo minado”. Não importa o que diga sua matéria, os títulos devem falar por ela, mesmo que não tenham relação com o conteúdo. Use tons sensacionalistas e fatalistas.

4ª) Nunca divulgue os artigos progressistas da Constituição Federal
Os artigos da Constituição Federal que tratam da função social da terra, que integram o código agrário – 184 a 191 –, nunca devem ser mencionados em reportagens sobre os movimentos sociais, para evitar a compreensão de que a ação de invasão de terras pode ter algum respaldo legal.

É sempre recomendável lembrar da Lei de Segurança Nacional e da necessidade de uma legislação contra o terrorismo no Brasil. O termo “Estado de Direito” é ideal para isso. Considere qualquer manifestação uma afronta ao Estado de Direito, mesmo que ele seja apenas o Direito do Estado.

Se falar do Estado de Direito e suprimir os artigos progressistas da Constituição não for suficiente, convém colocar as reportagens próximas à cobertura de ações terroristas ou levantar a suspeita de que há relação do movimento social com uma organização terrorista ou guerrilheira estrangeira.

Conjunto de regras para serem selecionadas e aplicadas conforme a conjuntura exigir:

5ª) Levante a bola para o oportunista de plantão
Não é verdade que o papel da imprensa é apurar a verdade dos fatos. Todo aspirante deve saber que a imprensa tem poder para gerar os fatos.

Além disso, apurar fatos implica sair de sua cadeira e nem todos eles podem ser apurados por telefone. Basta fazer uma reportagem suspeitando de algo e procurar um oportunista que queira protagonizar a indignação pública para a suspeita ganhar dimensão de notícia.

Sempre há alguém à disposição esperando para se deslumbrar com as luzes dos holofotes. O exemplo bem-sucedido mais recente foi o caso da requentada pauta da suspeita da legalidade do financiamento público para cooperativas da reforma agrária, em que o presidente do Superior Tribunal Federal (STF) desempenhou o papel de porta-voz da bancada ruralista, dando respaldo para a suspeita, e de quebra, aproveitando para atacar o governo federal.

Se não houver ninguém do Judiciário ou algum deputado, não importa, qualquer um, sem nunca ter ido a um assentamento ou acampamento pode ser transformado em “especialista” em questão agrária: sociólogos, filósofos e até jornalistas.

6ª) Nem sempre devemos apurar os dois lados da notícia
Quando já conseguimos incutir um pré-julgamento na opinião pública sobre o caráter marginal das ações dos movimentos sociais, podemos reforçar essa opinião entrevistando somente o lado agredido pelas ações, as vítimas dos movimentos. Fica implícita a informação de que, como os integrantes dos movimentos são foras da lei, quem deve escutá-los é a polícia e o Poder Judiciário. Se ainda assim tiver de ouvi-los, seja breve e descontextualize a frase.

7º) Não deve existir noção de historicidade, nem de causa e consequência em nossas reportagens
Não abordar as razões da ação dos movimentos sociais, evitar a divulgação da nota à imprensa. Não importa há quanto tempo às famílias estejam acampadas, quais promessas foram feitas pelo governo, se a terra é do banqueiro que saqueou os cofres públicos ou do coronel que vive do trabalho escravo. Se detenha nas consequências da ação.

8°) Dramatização da repercussão das ações dos movimentos sociais
Retire o foco das motivações estruturais e causas históricas e centre a abordagem nas consequências para os indivíduos donos ou empregados das propriedades invadidas ou atacadas.

● fale do prejuízo econômico para o proprietário e se possível faça uma entrevista com o mesmo ou com um familiar próximo para mostrar a comoção da família diante do ataque bárbaro. É importante mostrar o estado de choque emocional, e o ideal é que a pessoa esteja chorando.

● surte grande efeito a entrevista com trabalhadores da fazenda ou da empresa. O maior exemplo é o caso da ação no horto da multinacional Aracruz no Rio Grande do Sul, em que uma técnica de laboratório se fez passar por pesquisadora e, em prantos (!), afirmou que a destruição das mudas de eucalipto acabou com mais de vinte anos pesquisa.

Nesse caso, as reportagens conseguiram colocar os movimentos sociais como contrários à ciência e ao desenvolvimento tecnológico, evitando a pauta concreta da ação, que se centrava na expansão ilegal das terras da empresa e na depredação da natureza com o monocultivo de eucalipto.

9ª) Campanha de desmoralização permanente dos movimentos sociais
É sempre bom manter semanalmente pautas de desgaste aos movimentos sociais, mesmo que não haja uma ação que renda manchete. Nesses casos, a regra é trabalhar com associação, encaixando uma reportagem que fale sobre um movimento após ou entre matérias que falem, por exemplo, de casos de corrupção no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), venda de terra e desmatamento em assentamentos da Amazônia Legal etc.

Bata nas mesmas teclas, insista nas mesmas teses permanentemente, mesmo que elas já tenham sido usadas antes. Insista, por exemplo, que o MST irá romper com o governo Lula desta vez, mesmo que o movimento afirme e demonstre desde o primeiro dia de governo que nunca esteve atrelado.

E quando não for possível tomar como alvo os movimentos sociais, vale mirar nas bandeiras de luta deles, alegando estarem ultrapassadas, deslegitimando-as como parte da solução atual para os problemas do País. Nesse caso, pode-se até reconhecer o valor histórico que bandeiras como reforma agrária cumpriram no Brasil e em outros países, mas deve-se usar essa manobra apenas para recusar essas propostas no presente.

10ª) É fundamental saber manipular a dimensão subjetiva do telespectador ou do leitor
Não é apenas com a manipulação dos fatos e com a edição das entrevistas que podemos influenciar na interpretação que os nossos consumidores farão. Na TV, a expressão facial e o tom de voz dos repórteres, dos comentaristas e, sobretudo, dos âncoras é determinante. A adoção do semblante sério e do tom de voz grave deve indicar a importância do tema.

Além da performance dos jornalistas como atores, é recomendável que o pano de fundo do cenário também traga imagens que gerem medo e desconfiança. O exemplo do Jornal Nacional é o mais ilustrativo: para falar da reforma agrária e dos movimentos que lutam por ela: aparece uma cerca rompida e três vultos disformes – “afinal não são pessoas, são sombras” –, empunhando ferramentas de trabalho como se fossem armas.

Gleisi virou a Dilma de Dilma.

Leandro Mazzini informa,na Coluna Esplanada,que a ministra da Casa Civil assumiu de vez a função de gerentona que no governo anterior era da atual presidenta.


Gleisi Hoffmann,a Dilma de Dilma.A chefe da Casa Civil,Gleisi Hoffmann,e tem irritado ministros,que evitam críticas,temerosos de sua reação.
Com carta branca da chefe,Gleisi tem ligado para os colegas,cobrado tarefas e compromissos.
Faz críticas duras e os convoca para reuniões e prestações de contas.Tornou-se também a 'clipadora' da presidente.A ministra lê os jornais todas as manhãs e dispara telefonemas logo cedo para os ministros,em casa ou na Esplanada,inclusive nos fins de semana.Quando é denúncia,então,os ouvidos queimam.


via Congresso em Foco   

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Pedágios no Paraná criados por Lerner e mantidos pela Justiça garantem lucro fácil para as concessionárias.

                                                    
                                                                                            

   Reportagem dessa Segunda-feira (13) na  Gazeta do Povo  informa que as concessionárias de pedágio no Paraná,criado pelo governador Jaime Lerner (DEMO),garantem lucro de R$ 206 milhões para as empresas privadas,com arrecadação de R$ 1,42 bilhão.


Nos últimos 14 anos as concessionárias investiram em obras nas estradas apenas R$ 2,65 bilhões,o equivalente ao que elas ganharam somente nos últimos dois anos.


O governo de Roberto Requião (PMDB) tentou diminuir as tarifas do pedágio,mas não conseguiu devido às decisões do Poder Judiciário,normalmente condescendente com o grande capital.


O governador Beto Richa (PSDB) está negociando com as concessionárias,por meio do seu apagado secretário de infra-estrutura Pepe Richa (irmão do governador).
Aumentando a tarifa ou o prazo dos contratos conseguirá que as concessionárias façam mais obras.(?) 

Sindicato vê aumento na tarifa com privatização de terminais de ônibus em Curitiba.

                                                    Novo tarifaço em Curitiba?                                


O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Urbanização do Estado do Paraná (SINDIURBANO),Valdir Mestriner,afirmou nesta segunda-feira (13) que a privatização dos 22 terminais de ônibus gerenciados pela Urbs poderá acarretar aumento no preço da tarifa.Hoje,a passagem custa R$ 2,50 em Curitiba.


Mestriner disse estranhar que a administração dos terminais seja transferida para empresas privadas,pois,de acordo com ele,"é a função e a razão de existir da Urbs".


O SINDIURBANO questiona o valor de R$ 49 milhões que a licitação prevê,ou seja,aproximadamente R$ 10 milhões por ano ou R$ 813 mil por mês.Atualmente o gasto aproximado para a realização do serviço de manutenção-compra de materiais e pagamento de funcionários-,feito de forma direta pela empresa,não passa de R$ 100 mil por mês,que represente um total de,no máximo,R$ 6 milhões aos cinco anos previstos pela licitação.


Questionado na manhã de hoje sobre possível reajuste na tarifa de ônibus durante o feriado de carnaval,o prefeito Luciano Ducci (PSB),desconversou.Disse que ainda não há estudo acerca do assunto.